A Voz Da Favela

A Crimilização da Favela

Posted in Fala Favela by avozdafavela on Outubro 29, 2009

Abolição

Eis, que no ano de 1888, abrem-se as asas da liberdade, para o negro no Brasil!

Diante da nova condição dos ex-cativos , seus ex-senhores arrogantemente, não aceitaram pagar
pelo trabalho de quem antes, fora sua propriedade. Por isso os recém-libertos, na sua quase
totalidade, foram dispensados por representarem despesa e presença indesejáveis.
Entregues à própria sorte, despojados de teto e alimentação, passaram a realizar trabalhos
esporádicos que lhes rendiam, muito menos que o necessário para uma sobrevivência digna.

A favela é o lixo social que foi varrido para debaixo do tapete!

A exclusão econômica e social levou o negro a um terceiro tipo de exclusão: A exclusão geográfica!
Por não terem condições de sobrevivência, muitos cometiam pequenos furtos para se alimentarem.
A resposta do estado para isso foi que: já na década de 1890, a então “Força militar do Estado do
Rio de Janeiro” passou a perseguir e afastar das áreas urbanas este contingente de mais de, dois
terços da população da cidade.
Como única opção de sobrevivência , os negros libertos migraram para as matas, morros e áreas
periféricas da cidade,(algumas dessas áreas, já ocupadas por quilombolas e alforriados que
buscavam refugio).

Aí, nasceu a favela!
O seu crescimento se deu mais uma vez por questões econômicas. A explosão nas décadas de 40
e 50, com a vinda de mão de obra do norte e nordeste do país, para a construção da cidade foi um
das primeiras grandes migrações internas. Mas nada comparável com o crescimento nas décadas
de 1980, 1990 e 2000.

O lixo aumentou tanto , que agora é visível e incomoda!

Pois esta na sala-de-estar da casa grande! Como uma herança maldita dos “senhores de
escravos” para seus descendentes.

A favela esta para o estado, ora como senzala, ora como quilombo!

Senzala, quando como mero depósito de gente, fornece mão de obra barata e ignorância onde se
pode cultivar consumidores vorazes e eleitores fiéis!
E como um quilombo: Quando o estado entra com seus capitães do mato, com armas em punho
atrás de negros fujões e transgressores. E, violentamente desconstroem o pouco de cidadania e
dignidade que ainda resiste nas favelas.

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